Psicomotricidade no apoio a crianças especiais.

Nos últimos anos, cresceu na sociedade a consciência de que muitas pessoas têm necessidades educacionais especiais. Para supri-las, é preciso recorrer a uma equipe multidisciplinar e, em muitos casos, esse trabalho envolve uma reeducação do corpo e do movimento. Para atuar nessa área, o profissional precisa fazer uma pós-graduação em Psicomotricidade.
E você, entende a importância da reeducação psicomotora para promover o desenvolvimento das crianças, prevenindo e tratando problemas de aprendizagem? Quer saber o que o psicomotricista faz na clínica ou em instituições? Gostaria de conhecer as oportunidades que o mercado oferece aos profissionais optam pela pós-graduação em Psicomotricidade? Então, continue a leitura!
Por que as crianças não aprendem?
Com certeza, essa é uma pergunta muito mais provocativa do que uma proposta para explicar as razões das dificuldades de aprendizagem. Existem muitos motivos que levam um aluno a não ter o rendimento acadêmico esperado: imaturidade, bloqueios emocionais, distúrbios de aprendizagem e intercorrências no processo de desenvolvimento são apenas algumas dessas possibilidades.
Dessa maneira, para reverter essa situação, a criança precisa de um diagnóstico adequado. Em poucos casos, esse diagnóstico é feito apenas pelo médico. Na maioria das vezes, esses profissionais recorrem a uma equipe multidisciplinar para avaliar o
desenvolvimento desse pequeno indivíduo sob diferentes aspectos. Só assim é possível planejar uma intervenção adequada às necessidades daquele aluno.
Em muitos casos, a Psicomotricidade pode oferecer uma contribuição relevante tanto para o diagnóstico quanto para a intervenção. Segundo Vitor da Fonseca*, esse “campo transdisciplinar estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistêmicas entre o psiquismo e a motricidade”.
Portanto, na pós-graduação em Psicomotricidade, o profissional é preparado para trabalhar, de forma lúdica e criativa, o funcionamento mental. Este, por sua vez, engloba as sensações, percepções, emoções e afetos, medos, imagens, simbolizações, construções mentais do pequeno indivíduo.
Assim, aquela ideia inicial de que a Psicomotricidade se refere apenas à parte motora da criança é equivocada. Ela integra também uma dimensão psíquica (funcionamento da mente), afetiva e cognitiva. Portanto, as desordens nessa área afetam todas as outras, inclusive a aprendizagem.
Campos de atuação após a pós-graduação em Psicomotricidade
Após a pós-graduação em Psicomotricidade, o profissional pode atuar tanto em instituições quanto no atendimento clínico. Conheça um pouco melhor essas possibilidades:
Psicomotricidade Institucional
Uma das possibilidades para o profissional especializado em Psicomotricidade é o atendimento institucional. Ele pode desenvolver seu trabalho em escolas, hospitais e outras organizações responsáveis pelo cuidado e/ou ensino das crianças.
Nas escolas, o psicomotricista pode propor uma série de intervenções, especialmente as de caráter preventivo. Sua atuação desde os primeiros anos escolares pode evitar muitas dificuldades de aprendizagem.
Para entender a importância de uma orientação psicomotora no ambiente escolar, basta nos lembrarmos que, na linha do desenvolvimento humano, o gesto precede a palavra. O bebê e a criança pequena primeiro aprendem a se expressar por meio da linguagem e atividade corporal, para depois aprenderem a usar a fala como instrumento de compreensão.
O mesmo acontece com vários processos lógico-matemáticos. A assimilação de uma série de conceitos depende de como a criança percebe a relação entre seu corpo e o espaço que ela ocupa. No entanto, em uma sociedade em que a brincadeira deixou de ser ativa e passou a ser restrita a telas e gadgets, esse desenvolvimento pode ser prejudicado.
Cabe ao psicomotricista orientar profissionais da Educação e propor um programa de desenvolvimento motor infantil. Por meio de brincadeiras planejadas, as crianças adquirem consciência corporal, maturação e cognição.
Além disso, esse desenvolvimento motor planejado garante que os grandes grupos musculares sejam mobilizados. A partir daí, os pequenos grupos musculares, que realizarão tarefas mais delicadas, precisas e ajustadas ao longo da vida escolar, sejam preparados para executar essas atividades.
Psicomotricidade Clínica
Além dessa atuação institucional, após a pós-graduação em Psicomotricidade o profissional poderá atender em sua própria clínica. Geralmente, nesse local ele recebe pessoas (predominantemente crianças em idade escolar), que já estão enfrentando dificuldades devido à desorganização motora.
O psicomotricista, consciente de que a reeducação precisa levar em conta a tendência neuroevolutiva do ser humano, sabe que não basta intervir apenas nas dificuldades escolares que a criança enfrenta. Por isso, não adianta ensinar linguagem, matemática e outras disciplinas enquanto o movimento não tiver atingido o grau de maturidade esperado para produzir as condições ideais para a aprendizagem.
Ainda segundo Vitor da Fonseca, “qualquer perturbação na relação eu-corpo na criança gera, inevitavelmente, problemas de personalidade, como, por exemplo:
- alterações nas funções perceptivas e cognitivas;
- desajustamentos em relação à realidade;
- distorções no conhecimento do mundo exterior;
- vulnerabilidade na autonomia etc”.
É importante destacar que o trabalho do psicomotricista é extremamente lúdico. A partir do diagnóstico, o profissional propõe um plano de intervenção. Ele pode entender que é necessário trabalhar a tonicidade, sistemas proprioceptiovos ou exteroceptivos, a reptação ou os movimentos intencionais.
Em qualquer um desses casos, a intervenção proposta precisa parecer uma grande brincadeira, para que o indivíduo sinta o desejo de participar. A emoção é o principal detonador da ação, principalmente quando se fala em crianças. Por isso o atendimento clínico deve se ajustar a essa premissa.
Atuação relacionada aos Transtorno do Espectro Autista
Embora o atendimento à pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) possa acontecer tanto no ambiente institucional quanto clínico, entendemos que é válido dar uma ênfase nesse aspecto.
Recentemente, as campanhas de conscientização sobre as necessidades das pessoas com TEA têm se tornado mais frequentes. Graças a isso, a rede de profissionais qualificados para atender essas demandas está crescendo, embora muito lentamente.
Após a pós-graduação em Psicomotricidade, o profissional pode atuar também nessa área. Pessoas afetadas por transtornos do espectro autista, Síndrome de Asperger, Síndrome de Kanner, Síndrome de Rett e psicoses infantis formam o público-alvo desse segmento.
O psicomotricista pode atuar ainda em brinquedotecas e com terapia psicomotora direcionada a pacientes com transtornos mentais ou idosos (gerontopsicomotricidade). Lembrando que também existe a possibilidade de desenvolver seu trabalho em empresas, em um campo relativamente novo: a ergomotricidade.
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